Somos centroavantes fortes e cegos

June 6, 2017

11,8 bilhões de reais é o valor investido em marketing digital em 2016 no Brasil, segundo pesquisa realizada pela Interactive Advertising Bureau. A pesquisa mostrou que a soma total gasta com publicidade no país é de 44 bilhões. Com um mercado em retomada, espera-se um crescimento de 26% para 2017, estando os valores em comunicação on-line próximos dos 15 bilhões de reais. 

 

O brasileiro ganhou coragem para investir na internet. Vejo a cada dia mais clientes da Niah e executivos próximos a mim à vontade para embarcar no on-line. O discurso de migrar uma verba para o digital não é novidade; a crise simplesmente acelerou um processo natural. Pois a internet é mais barata, é mais certeira, é mais mensurável. Aliás, mensurável é o grande discurso em anos de big data. Quando todas as palestras e conteúdos nos levam a crer que precisamos mensurar mais, saber o caminho de cada cliente até a compra, trabalhar o inbound, a comunicação na internet parece tornar tudo isso mais simples. E de fato é. Mensurar é bom. É importante. É certo! 

 

Mas gostaria de voltar aos investimentos. É esplendoroso que o crescimento em comunicação cresça ano a ano e que uma espraiada de canais aconteça. O que me entristece, muitas vezes, é que o mesmo não acontece com a pesquisa. Todo esse investimento raramente é certeiro. Os executivos e departamentos de marketing não passam de centroavantes com muita força, porém cegos. É muito raro as campanhas seguirem um plano com estratégia, investimento em pesquisa e público-alvo bem definido. Sinto dizer que, por vezes, até o desenvolvimento do produto acontece sem que seja mensurado o futuro mercado. 

 

Em tempos digitais, é hora de investir mais e entender que comunicação digital é sim o que conseguimos mensurar, mas que essa mensuração é como um espelho que só nos mostra o passado próximo. Precisamos olhar mais com lunetas potentes, precisamos usar estes dados para desenvolver pesquisas estruturadas, para mensurar, sim, mas principalmente para compreender o mercado. 

 

Com base nas experiências práticas como executivo de marketing, no empreendedorismo e na vivência com On-life da Niah, sugiro 3 técnicas de pesquisa de baixo custo, alta velocidade e um grande poder de mensuração e entendimento, que podem fazer a diferença no resultado final de uma estratégia de comunicação. 

 

1) Utilize o Google Trends – Aliás, não só o Google, mas também outras ferramentas de busca ou redes sociais que mensurem em suas páginas os assuntos mais comentados e mais pesquisados. Ainda é possível separar por região, interesses, perfil, etc. Com algumas horas dedicadas a entender um mercado específico, é possível fazer diversos cruzamentos muitos relevantes e mensuráveis. 

 

2) Faça grupos de WhatsApp – Para testar uma peça publicitária, um design de um produto, uma música ou qualquer coisa que seja possível enviar em um arquivo de áudio ou vídeo, desenvolva grupos de WhatsApp com diferentes pessoas. Converse com seus amigos para que indiquem pessoas com um determinado perfil e separe estes grupos por temas. Faça um texto de apresentação para que este grupo entenda que está participando de um teste e que eventualmente eles poderão responder algumas coisas por ali. Ao final, compartilhe o arquivo e colete respostas e interações. É um substituto barato do focus group ou dos grupos de teste, com resultados excelentes. 

 

3) Caminhe por aí – Sugiro trabalhar um turno em algum lugar diferente do seu escritório. Esteja em cafeterias, parques, almoce em um lugar que necessita de caminhada mais longa, enfim, conviva com pessoas diferentes. Uma comunicação On-life depende de entender de pessoas e de sua vida, e um simples hambúrguer na garagem pode gerar insights surpreendentes. 

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